quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Aquecimento global, blockbusters e documentários

Afinal, que história é essa de aquecimento global? Cada vez que leio sobre o assunto fico intrigada. Na semana passada, li no Valor uma matéria intitulada “ONU alerta que crise ambiental já é ameaça à existência humana”. Considerando que a ONU goza de certa credibilidade e que a sobrevivência do homem na Terra é tema que afeta uma “parcela significativa” de pessoas, essa não deveria ser matéria de capa, manchete principal do jornal?

Não era. Ocupava 1/8 da 10ª página do primeiro caderno do jornal, canto inferior direito. Não porque todo mundo saiba que isso não é verdade ou que ninguém acredite nessa possibilidade, mas, simplesmente – pasmem – porque não há novidade nenhuma nessa informação.

Em novo estudo, a ONU alerta para o velho problema da sobrevivência da espécie humana e dos riscos da exploração desenfreada, descontrolada e burra que fazemos do nosso meio ambiente. A matéria cita ainda um relatório “histórico” (“Our Common Future”), divulgado há 20 anos, que já pedia o desenvolvimento sustentável. Ou seja, o assunto é velho mesmo.

Aqui no Brasil, tudo bem. Parece que não levamos nada muito a sério – nem nós mesmos. Muito menos a ciência. A palavra “prevenção” não é muito freqüente em nosso vocabulário. Preferimos a “redenção” da risada, da cachaça e do carnaval. (E isso não é uma crítica, é mais uma constatação.)

Mas e o resto do planeta?

Engraçado é que os filmes-catástrofe fazem sucesso por aí. Ora falta água (Mad Max), ora falta terra (Waterworld), ora metade do globo congela (O Dia Depois de Amanhã), ora um vírus mortal destrói tudo e todos (Os Doze Macacos). E há muitos outros exemplos.

Em todos eles, quase sempre há um mocinho visionário que tenta alertar todo mundo da catástrofe que está por vir, mas nunca é ouvido logo de cara. E nós ficamos torcendo por eles e não entendemos como todo mundo pode ser tão burro de não perceber que eles têm razão.

Qual é o problema então? Será que somos inconseqüentes por natureza? Ou será que simplesmente não sabemos o que fazer? Ou pior, sabemos, mas dá muito trabalho ou exige esforço demais. Melhor sentar e esperar alguém resolver o problema.

Hoje eu tive uma pequena amostra do impacto do aquecimento global na minha vida. O ar condicionado do escritório quebrou. E, em São Paulo, a cidade do concreto, o ar condicionado é tudo. Em dias como hoje, dá pra ver a fumaça subindo do asfalto da avenida paulista. Até o vento é quente. Aliás, não é vento, é bafo. No final do dia, vêm as pancadas de chuva e os alagamentos, pois, com tanto concreto, a água não tem por onde escoar.

Bom, enquanto houver filmes-catástrofe pra gente assistir, acho que tudo estará sob controle. O problema virá quando eles forem substituídos por documentários. Mas acho que eu não estarei aqui para conferir.

Um comentário:

Renato disse...

Oi Silvia, primeiro quero dizer que achei bem legal seu blog, parabéns! Agora sobre esse tema quero dar o meu pitaco. Realmente já passou da hora das pessoas se conscientizarem para o aquecimento global, mas infelizmente não é o que se vê por aí. Tenho certeza na hora que a coisa for ficando pior, aqueles que mais degradam a natureza vão ser os primeiros a quererem buscar os escassos recursos onde ainda os tem. Aí vai ser um tal de guerra por causa de água, por ar, por terra, etc. Eu mesmo fico em dúvida se devo perpetuar minha espécie, pois, porque vou querer que um filho meu ou um neto no futuro sofra com tudo isso. Mas aí minha namorada, um dia que estávamos conversando sobre isso, falou uma coisa que é certa, “Deus é quem sabe das coisas". Pensei puxa é verdade, e me trouxe até uma certa paz interior. Temos que fazer a nossa parte, e rezar para que na geração dos nossos filhos surjam pessoas mais conscientes e que consigam a tempo parar de degradar a natureza e reverter esse quadro.