Acabei de voltar de um evento no Instituto Goethe, sobre literatura. Na mesa, destaque para dois autores de língua alemã, Perikles Monioudis e Ulrich Peltzer. Mas quem garantiu o sucesso da noite foi mesmo o Bernardo Carvalho, o terceiro autor.
Não conheço o trabalho dele, mas, pela amostra de hoje, fiquei com vontade de conhecer. Bernardo passou dois meses viajando pela Mongólia para escrever um de seus livros mais recentes, com esse título. Aqui no Brasil, embrenhou-se no mato para escrever a história de um antropólogo inglês, eu acho, que acabou se suicidando numa tribo indígena. E tudo começou por conta de uma nota lida no jornal.
Na verdade, não sei se gostei dele ou se fiquei foi com inveja das histórias que ele tinha para contar.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
A guerra da Rússia
A foto de capa da Folha de hoje é perfeita. Dois homens abraçados. Um vivo, o outro morto. Ambos jovens, fortes. Homens que parecem ser capazes de se defender e de defender você. A dor estridente imobilizada na folha de um jornal, circulando pelo mundo, espalhando-se, contaminando. Isso sem falar na internet. Uma dor multiplicada por milhares e milhões. Ainda assim, inútil, inerme, incapaz de trazer de volta à vida aqueles dois homens.
E a Ossétia do Sul? Desculpem a ignorância, mas eu nunca havia prestado atenção a esse tema. Não sabia do movimento separatista, nem imaginava possível a intervenção da Rússia na Geórgia.
Quanto ao Putin? Infelizmente, desse, eu já ouvi falar.
E a Ossétia do Sul? Desculpem a ignorância, mas eu nunca havia prestado atenção a esse tema. Não sabia do movimento separatista, nem imaginava possível a intervenção da Rússia na Geórgia.
Quanto ao Putin? Infelizmente, desse, eu já ouvi falar.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Fim de Festa
A Flip chegou ao fim. O horário da última mesa – 17h – foi muito bem escolhido. Com o fim da festa, acabava também o dia.
Cada um dos oito autores presentes – Chimamanda Adichie, Nathan Englander, Zoë Heller, Neil Gaiman, Cintia Moscovich, Alessandro Baricco, Tom Stoppard e Cees Nooteboom – leu um trecho do livro que escolheu especialmente para a ocasião.
A aparição de Liz Calder, idealizadora da Flip, deu um charme a mais à ocasião, e um toque de pessoalidade que combinou com o evento. A Flip é uma festa, e não uma feira. E isso é evidenciado o tempo todo.
Foi uma ótima festa.
Pena que acabou.
Para os curiosos, segue a relação dos livros selecionados pelos autores:
Cada um dos oito autores presentes – Chimamanda Adichie, Nathan Englander, Zoë Heller, Neil Gaiman, Cintia Moscovich, Alessandro Baricco, Tom Stoppard e Cees Nooteboom – leu um trecho do livro que escolheu especialmente para a ocasião.
A aparição de Liz Calder, idealizadora da Flip, deu um charme a mais à ocasião, e um toque de pessoalidade que combinou com o evento. A Flip é uma festa, e não uma feira. E isso é evidenciado o tempo todo.
Foi uma ótima festa.
Pena que acabou.
Para os curiosos, segue a relação dos livros selecionados pelos autores:
Chimamanda Adichie – “The Autobiography of My Mother”, de Jamaica Kincaid.Nathan Englander – “Goodbye, My Brother”, de John Cheever.
Zoë Heller – “The Member of The Wedding”, de Carson McCullers.
Neil Gaiman – “Thirteen Clocks”, de James Thurber.
Cintia Moscovich – “De Amor e Trevas”, de Amóz Oz.
Alessandro Baricco – “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger.
Tom Stoppard – “In Our Time”, de Ernest Hemingway.
Cees Nooteboom – “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust.
Flip 2008
Mesa 19 - Livro de cabeceira - NATHAN ENGLANDER, CHIMAMANDA ADICHIE, NEIL GAIMAN, TOM STOPPARD, CINTIA MOSCOVICH, CEES NOOTEBOOM, ALESSANDRO BARICO, ZOË HELLER
Mediador: ÁNGEL GURRÍA-QUINTANA
Wisnik e Damatta
Nunca pensei o futebol como um fenômeno social. Foi realmente uma surpresa. Wisnik e Damatta, com abordagens e estilos distintos, deram novos contornos para o tema. Mesmo para quem não gosta de futebol, como eu, a reflexão foi realmente instigante.
A idéia do futebol como um mundo paralelo, em que existem regras, que valem para todos e são respeitadas, ao contrário do nosso Mundo-Brasil, é interessante. No futebol, em certa medida, a desigualdade social seria superada e haveria um senso comum de justiça: as transgressões seriam punidas.
Também a visão do futebol inserido em determinado período da história foi novidade para mim. Sua chegada ao Brasil como algo ‘alienígena’, uma espécie de estrangeirismo, e o processo de assimilação e de transformação dessa novidade em algo que, acreditamos hoje, genuinamente ‘brasileiro’.
A eloqüência de Wisnik e a lucidez do seu discurso, apesar da dificuldade de ir direto ao ponto, e o humor sério e um tanto cínico de Damatta, combinados, funcionaram bem. Muito bem. Quanto ao mediador, Matthew Shirts, este deixou o barco correr.
Nunca mais vou pensar em futebol da mesma maneira.
Flip 2008
Mesa 17 - Folha seca - JOSÉ MIGUEL WISNIK, ROBERTO DAMATTA
Dia 06/07, às 11h45
Mediador: MATTHEW SHIRTS
A idéia do futebol como um mundo paralelo, em que existem regras, que valem para todos e são respeitadas, ao contrário do nosso Mundo-Brasil, é interessante. No futebol, em certa medida, a desigualdade social seria superada e haveria um senso comum de justiça: as transgressões seriam punidas.
Também a visão do futebol inserido em determinado período da história foi novidade para mim. Sua chegada ao Brasil como algo ‘alienígena’, uma espécie de estrangeirismo, e o processo de assimilação e de transformação dessa novidade em algo que, acreditamos hoje, genuinamente ‘brasileiro’.
A eloqüência de Wisnik e a lucidez do seu discurso, apesar da dificuldade de ir direto ao ponto, e o humor sério e um tanto cínico de Damatta, combinados, funcionaram bem. Muito bem. Quanto ao mediador, Matthew Shirts, este deixou o barco correr.
Nunca mais vou pensar em futebol da mesma maneira.
Flip 2008
Mesa 17 - Folha seca - JOSÉ MIGUEL WISNIK, ROBERTO DAMATTA
Dia 06/07, às 11h45
Mediador: MATTHEW SHIRTS
domingo, 6 de julho de 2008
Tom Stoppard
Eu já sabia que o Luis Fernando Veríssimo era tímido, mas, ainda assim, a timidez dele me surpreendeu. Veríssimo L-E-U suas perguntas. Engraçado, não? Claro que ele é ótimo e, mesmo lendo, é um prazer ouvi-lo. Mas houve certo estranhamento. Como não poderia deixar de ser, as perguntas do Veríssimo carregavam uma boa dose de humor. Não de um humor qualquer, mas do humor do Veríssimo, com o qual Stoppard – a estrela da mesa – não estava familiarizado (ele confessou ter lido – e gostado de – um livro do Veríssimo na noite anterior pela primeira vez).
Enfim, Veríssimo provocou, Stoppard não entendeu e, simplesmente, respondeu a pergunta. Foi um pouco frustrante. Daí pra frente, Veríssimo optou por seguir o caminho mais seguro e fazer perguntas convencionais, de forma convencional. Ou seja, a conversa não esquentou.
Acho que teria sido melhor se Veríssimo fosse mais um convidado, ao lado de Stoppard, e que uma terceira pessoa tivesse sido escolhida como mediadora.
Mas, ainda assim, valeu a pena. Pra mim, que não conhecia absolutamente nada sobre Stoppard, ficou a vontade de conhecer melhor o trabalho dele. Principalmente depois de ele chamar a atenção para uma distinção que eu achei ótima: a diferença entre "categoria" – na verdade, essa palavra não me parece muito adequada, mas, por hora, não tenho outra – e qualidade.
Segundo ele, o que importa é a qualidade. E você pode encontrá-la em qualquer categoria - num texto literário ou numa revista de fofocas. Ou seja, falando de diálogos do cinema ou do teatro, especialidade de Stoppard, a frase perfeita pode ser encontrada tanto num filme do Indiana Jones como num texto de Shakespeare.
Adorei ouvir isso.
Flip 2008
Mesa 15 - Shakespeare, utopia e rock’n’roll - TOM STOPPARD
Dia 05/07, às 19h
Mediador: Luis Fernando Veríssimo
Enfim, Veríssimo provocou, Stoppard não entendeu e, simplesmente, respondeu a pergunta. Foi um pouco frustrante. Daí pra frente, Veríssimo optou por seguir o caminho mais seguro e fazer perguntas convencionais, de forma convencional. Ou seja, a conversa não esquentou.
Acho que teria sido melhor se Veríssimo fosse mais um convidado, ao lado de Stoppard, e que uma terceira pessoa tivesse sido escolhida como mediadora.
Mas, ainda assim, valeu a pena. Pra mim, que não conhecia absolutamente nada sobre Stoppard, ficou a vontade de conhecer melhor o trabalho dele. Principalmente depois de ele chamar a atenção para uma distinção que eu achei ótima: a diferença entre "categoria" – na verdade, essa palavra não me parece muito adequada, mas, por hora, não tenho outra – e qualidade.
Segundo ele, o que importa é a qualidade. E você pode encontrá-la em qualquer categoria - num texto literário ou numa revista de fofocas. Ou seja, falando de diálogos do cinema ou do teatro, especialidade de Stoppard, a frase perfeita pode ser encontrada tanto num filme do Indiana Jones como num texto de Shakespeare.
Adorei ouvir isso.
Flip 2008
Mesa 15 - Shakespeare, utopia e rock’n’roll - TOM STOPPARD
Dia 05/07, às 19h
Mediador: Luis Fernando Veríssimo
Nooteboom e Vallejo
Desculpem, mas o destaque da mesa foi mesmo o mediador, Ángel Gurría-Quintana. Ao contrário da grande maioria dos mediadores da Flip, esse, sim, sabia o que estava fazendo. Conhecia a função. E a desempenhou muito bem.
Vallejo não estava pra conversa. Só repetiu o discurso que já havia sido notícia dos jornais da véspera e do dia. Mas, ainda assim, Ángel conseguiu tirar alguma coisa dali. A impressão final de Fernando Vallejo foi a de alguém tímido, que parecia estar ali a contragosto. Mas, pela leitura que fez de trecho de um livro seu, deu vontade de conhecer melhor o trabalho dele.
Na verdade, essa mesa foi muito bem composta. Nooteboom fez o contraponto perfeito a Vallejo. Saiu-se bem de qualquer tentativa de provocação e conseguiu falar do seu trabalho. Isso sem falar que ele é a simpatia em pessoa.
Flip 2008
Mesa 14 - Paraíso perdido - CEES NOOTEBOOM, FERNANDO VALLEJO
Dia 05/07, às 17h00
Mediador: ÁNGEL GURRÍA-QUINTANA
Vallejo não estava pra conversa. Só repetiu o discurso que já havia sido notícia dos jornais da véspera e do dia. Mas, ainda assim, Ángel conseguiu tirar alguma coisa dali. A impressão final de Fernando Vallejo foi a de alguém tímido, que parecia estar ali a contragosto. Mas, pela leitura que fez de trecho de um livro seu, deu vontade de conhecer melhor o trabalho dele.
Na verdade, essa mesa foi muito bem composta. Nooteboom fez o contraponto perfeito a Vallejo. Saiu-se bem de qualquer tentativa de provocação e conseguiu falar do seu trabalho. Isso sem falar que ele é a simpatia em pessoa.
Flip 2008
Mesa 14 - Paraíso perdido - CEES NOOTEBOOM, FERNANDO VALLEJO
Dia 05/07, às 17h00
Mediador: ÁNGEL GURRÍA-QUINTANA
Baricco e Calligaris
Confesso que já fui predisposta a gostar, mas são ambos ótimos mesmo. O tema da mesa não passou de ficção, como em quase todas as outras. Mas isso é mera observação, apenas uma curiosidade, afinal estávamos todos lá pelos palestrantes, e não pelo tema em pauta.
A frase do dia foi de Calligaris ao falar da importância das raízes, mas de raízes como as das bromélias, que crescem ao ar livre.
Flip 2008
Mesa 13 - Fábulas italianas - ALESSANDRO BARICCO, CONTARDO CALLIGARIS
Dia 05/07, às 15h00
Mediador: MANUEL DA COSTA PINTO
A frase do dia foi de Calligaris ao falar da importância das raízes, mas de raízes como as das bromélias, que crescem ao ar livre.
Flip 2008
Mesa 13 - Fábulas italianas - ALESSANDRO BARICCO, CONTARDO CALLIGARIS
Dia 05/07, às 15h00
Mediador: MANUEL DA COSTA PINTO
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